30.8.14

O Retorno ao "mundo desconhecido"


Não sei como é explicar a sensação de retornar a Portugal. Medo, nervosismo, saudade e felicidade ao mesmo tempo invadem o meu coração e eu tento imaginar o futuro, mas é impossível. Na verdade, eu tenho medo do futuro, por que terei que enfrentá-lo durante muito tempo fora da minha zona de conforto.

E me imaginar chegando  no aeroporto de Porto já me dá calafrios. Sozinha, com duas malas na mão, andando pra lá e pra cá meio perdida. É assim que eu sou quando viajo. Uma criatura perdida, se divertindo sozinha em lugares novos.

Na verdade, estou dividida entre 2 países. Ou melhor: dois mundos. Por que apesar de serem culturas parecidas, tudo muda. O ambiente muda, o cheiro muda, a alimentação muda, as companhias mudam, o sotaque muda, a forma como as pessoas me olham muda e as dificuldades também mudam.

Me sinto como uma verdadeira "adaptadora de lugares". Me adapto bem a tudo, e aceito todas com mudanças e dificuldades com um sorriso no rosto, porém, às vezes tudo que eu quero é voltar pra zona de conforto e ficar perto da praia (o lugar que mais estou acostumada - e que por acaso me tranquiliza também).

Mas eu tenho que seguir os meus sonhos, e enfrentar aquilo que eu escolhi enfrentar: a saudade e um outro mundo. Mundo que apesar de eu já considerar parte de mim, ainda é um mundo desconhecido.

Desconhecido por que não pertence a mim, nem a minha família e nem a boa parte de minha história. É um mundo que me espera sempre com obstáculos e experiências novas que me impressionam e que me ensinam  novas coisas a cada dia.


Um comentário:

  1. Martina,

    Esta tua confissão, muito bem redigida por sinal, levou-me a escrever este novo monologo.

    Ao colocares o retorno a Portugal envolto numa pretensa insegurança interior, com todo o respeito, não acho que seja a atitude mais saudável.

    Talvez fosse melhor que te visses a ti mesma como uma pessoa privilegiada, porque aquilo que vens fazer para Coimbra constitui para muitissimos estudantes compatriotas teus um sonho irrealizável. É uma escassa oportunidade aquela que vens usufruir a Coimbra.

    A zona de conforto, que lamentas deixar temporáriamente, é realmente enganadora. A verdade é que ainda vais ter de conquistar a tua zona de conforto, ou seja, procurar sustentar-te a ti própria. Isso implica que terás de sair da casa dos teus pais. Quanto mais tarde isso acontecer mais dificil será.

    Quando chegares ao aeroporto do Porto não irás sofrer calafrios nem sentir-te perdida, de certeza. Conheço muito bem o aeroporto. Pequeno, rápido, funcional, onde tudo está muito bem sinalizado. À saída tens logo o metro que te leva á estação de Campanhã. Aí apanhas o comboio Alfa ou Intercidades com destino a Coimbra. Tu sabes muito bem que é assim, não é preciso exagerar o que é simples.

    Em relação á tua qualidade de «adaptadora de lugares», é bom que assim seja. O teu primeiro ano vivido em Coimbra, aparentemente, correu bem. O primeiro ano é sempre o mais dificil, como sabes. Há quem não se adapte. Porém o teu segundo ano será vivido de uma forma muito mais natural e tranquila. Deixa-me acrescentar que se te fizer falta uma praia-de-mar ou um põr-do-sol, tens várias á tua disposição a +-20 minutos de comboio a partir de Coimbra. É só ter vontade.

    A finalizar, só posso aconselhar-te a prosseguir os teus objectivos e limitar a saudade ao indispensável: à familia principalmente. A saudade não deve dominar esta fase da tua vida. Por outro lado, não tens que temer o mundo á tua volta porque estás apretechada com educação suficiente para conseguir ultrapassar os desafios que ele te coloca. Felizmente também és uma pessoa que tem a cabeça bem fixa aos ombros.

    Força e um abraço,

    https://www.youtube.com/watch?v=fkt6QHhDws0

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