24.12.13

“O Brasil é um dos países mais racistas do mundo, mas o racismo é velado”

racismo brasil angola open armsDiscutir o racismo na sociedade brasileira sempre é um assunto controverso. Para início de conversa, uma parcela significativa da nossa população insiste em dizer que este é um problema que não enfrentamos. Somos miscigenados, multirraciais, coloridos. Como um país assim pode ser racista?
Foi essa a pergunta que o angolano Badharó, protagonista do documentário “Open Arms, Closed Doors” (Braços Abertos, Portas Fechadas – vídeo no fim do texto), que dirigimos para a rede de TV Al Jazeera e que será veiculado a partir de hoje em 130 países, se fez quando chegou ao Brasil em 1997 esperando encontrar o Rio de Janeiro que ele via nas novelas.

Comentário da Martina: infelizmente, devido a história de escravidão e a desigualdade social que foi gerada por anos de má administração governamental, temos um Brasil racista, preconceituoso e opressivo.
Não apenas para os negros, mas também para pobres, mulheres e homossexuais (que são discriminados também, mas por outros motivos).
O que aconteceu foi que após a abolição da escravatura, tivemos negros sem moradia, sem estudos, sem formação, sem ajuda governamental e sem apoio nenhum, que não tiveram opção, se não ter uma vida precária. E isso foi um dos fatores que gerou a desigualdade e a exclusão social que existe até hoje. Em consequencia, alguns negros optaram pela opção mais fácil, a de roubar dos brancos que um dia os escravizaram.
E por causa disso, até hoje tem se a ideia de que os negros são na maioria assaltantes, traficantes, etc. 
E eu não os culpo, tudo aconteceu em consequencia da história brasileira e da forma como o Brasil foi colonizado.
Se você é estrangeiro negro no Brasil, peço desculpa pela ignorância do meu povo. Falta estudo e informação por parte dos brasileiros. Não se sintam ofendidos ou excluidos, não esta tudo perdido, pois algumas pessoas ainda tem noções de respeito :)
Também fico feliz em saber que vocês gostam do meu país e optaram por viver nele.
Há preconceito, mas nem todas as pessoas são preconceituosas. É dificil lidar com o preconceito e ignorar, mas ainda há esperanças de que um dia tudo vai mudar.
Continuando...


Badharó é um dos milhares de angolanos que vieram viver no Brasil. Depois de fugir da guerra civil no seu país de origem, escolheu aqui como novo lar – um país sem conflitos, alegre, aberto aos imigrantes e cuja barreira da língua já estava ultrapassada à partida. Foi parar no Complexo da Maré, onde está localizada a maior concentração de angolanos do Rio de Janeiro.
Para quem defende que o Brasil não é um país racista, vale ouvir o que ele, um imigrante negro, tem a dizer sobre a nossa sociedade. Badharó não nasceu aqui, não carrega nossos estigmas, não foi acostumado a viver num lugar em que muitos brancos escondem a bolsa na rua quando passam ao lado de um negro. Depois de 15 anos vivendo numa comunidade carioca, ele tem conhecimento de causa suficiente para afirmar: “O Brasil é um dos países mais racistas do mundo, mas o racismo é velado”. O documentário segue a rotina deste rapper de 35 anos e mostra o dia a dia de quem sofre na pele uma cascata de preconceitos, por ser pobre, negro e imigrante.
Além de levantar o tema do nosso racismo disfarçado, o documentário propõe, também, uma outra discussão: agora que estamos nos tornando um país alvo de imigrantes, será que estamos recebendo bem esses novos moradores?

Com a ascensão do Brasil como potência econômica e o declínio da Europa, principal destino de imigração dos africanos, nos tornamos um foco para quem não apenas procura uma situação melhor de vida, mas para quem procura uma melhor educação ou mesmo um bom posto de trabalho. São muitos os estudantes africanos de língua portuguesa que desembarcam no Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Angola foi o quarto país do mundo que mais solicitou visto de estudantes no Brasil em 2012. Com esta nova safra de imigrantes, basta saber como vamos nos comportar.
Europeus e norte-americanos encontram nossas portas escancaradas e nossos melhores sorrisos quando aportam por aqui, mesmo que estejam vindo de países falidos e em situação irregular. No entanto, um estudante angolano com visto e com dinheiro no bolso, continua sofrendo preconceito. Foi este o caso da estudante Zulmira Cardoso, baleada e morta no Bairro do Brás, em São Paulo, no ano passado. Vítima de um ato racista, a estudante virou o mote de uma musica que Badharó compôs para que o crime não fique impune. Isto porque tanto as autoridades brasileiras quanto as angolanas não deram sequência nas apurações e o crime segue impune.
A tentativa de abafar qualquer problema de relacionamento entre as duas nações pode afetar as interessantes parceiras comercias que existem entre os dois governos. Para todos os efeitos, continuamos sendo ótimos anfitriões e estamos de braços abertos para quem quer aqui entrar.
Assista ao documentário abaixo

 
 

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